sexta-feira, 18 de abril de 2014

Guimarães



Castelo de Guimarães


Guimarães é, em minha modesta opinião, a mais bela jóia que já tive a oportunidade de visitar em terras portuguesas, neste particular país debruçado no limite ocidental da Europa, o qual admiro de forma muito respeitosa. Curioso como ao longo da vida, a minha impressão sobre Portugal mudou para melhor, acompanhando minha maturidade pessoal: partindo de um início carregado de esteriótipos infelizes de colonizado, passando por uma primeira visita calorenta e pouco impressionante ao sul do país, até chegar ao entendimento e redenção à sua rica e grandiosa história e cultura - que também é parte da minha, sobretudo a magnífica língua portuguesa - e que culminou com uma inesquecível segunda viagemàs suas mais lindas paragens, compreendidas entre o Douro e o Minho.


Simbólico arco que marca a entrada do centro antigo da cidade


Monumento ao Teatro

Guimarães, escolhida como a capital cultural na Europa em 2012, foi o ponto de partida do qual nasceu, a partir de sucessivas conquistas, a nação portuguesa, sendo bem conhecido entre os patrícios o mote: "Portugal é Guimarães, e o resto é conquista". Lugar emblemático da forte identidade nacional deste pequeno país, Guimarães é fonte de orgulho e referência inegável da cultura lusófona. Com mais de mil anos de história como cidade, cuja existência precede a própria fundação de Portugal, o local já era um ponto de intersecção de multiplas vias romanas, séculos antes.




O mais belo monumento da cidade é indiscutivelmente o Castelo de Guimarães (foto da postagem), tendo servido, em torno do ano 1000, como fortificação que protegia o jovem Condado do Portocale das incursões vikings e Árabes. Este condado era um discreto território, ainda vassalo do reino espanhol de Leão, e foi o verdadeiro núcleo de origem do Portugal. Classificado como Monumento Nacional, em 2007 o castelo foi eleito informalmente como uma das Sete maravilhas de Portugal.


Capela de São Miguel do Castelo, onde teria sido batizado D. Afonso Henrique

De acordo com a tradição, foi nos dominios deste castelo que teria nascido em 1106 D. Afonso Henrique, o grande. Foi ele o fundador do Reino do Portugal, e também seu primeiro Rei. O condado Portucalense era agora autônomo. Nascia assim a nação mais antiga da Europa, de lingua própria, e um reino que duraria quase oito séculos, cuja dimensão territorial foi aumentada por bravas conquistas sucessivas, que ampliaram ao longo dos anos seus domínios por boa parte da Península Ibérica, tendo eventualmente se tornado, séculos depois, um imenso Império, com domínios ultramarinos tão distantes quanto o Brasil, Macau (na China), Goa (na India), e uma boa porção do continente africano.


Castelo dos Duques de Bragança, erguido no século XV em estilo Francês, foi todo restaurado na década de 30 para servir de residência oficial do ditador fascista Salazar.

A bela igreja de Nossa Senhora da Oliveira, em estilo Gótico, e à sua frente o icônico  Padrão do Salado, que comemora uma vitória de Afonso IV contra uma esquadra muçulmana.

Foi em Guimarães onde finalmente dimensionei a grandeza e a importância de Portugal, e de sua notável história, que é também a origem da história do Brasil, de nossa língua comum, e de uma relação que deve nos aproximar muito mais do que nos isolar. É este tipo de epifania que faz de uma viagem algo de valor incalculável. Somos todos filhos da nação portuguesa, e devemos ter um imenso prazer nisso. Ressentimentos históricos tolos e pequenas diferenças à parte, morramos todos de orgulho de fazer parte desta grande pátria que é a língua portuguesa.



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